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CAPA ESPECIAL
Ágatha
Félix
Aos 19 anos, Ágatha Félix já coleciona uma trajetória marcante. Agora, revela os bastidores do álbum Antes dos 20 e sua nova fase artística.

Foto: Pino Gomes
Aos 9 anos, Ágatha Félix contracenava com gigantes como Nathalia Timberg e Eva Wilma sem fazer a menor ideia do peso que carregava nos ombros. Hoje, aos 19, a atriz e cantora carioca colhe os frutos de uma trajetória construída entre palcos de musicais, sets de novela e um álbum de estreia que ela mesma descreve como uma obra viva, gestada ao longo de um ano e meio.
Nesta conversa exclusiva para a YOUR, Ágatha fala sobre crescer em público, sobre a maturidade forçada de trabalhar ao lado de ídolos como Larissa Manoela e Marina Ruy Barbosa, e sobre como transformou uma experiência de bullying em "Eu Não Falei para Ninguém", canção que virou refúgio para milhares de pessoas. Entre artes marciais, dança e composição autoral, ela revela como está, aos poucos, encontrando sua própria sonoridade, e seu próprio lugar no mundo.
Você começou sua carreira aos 9 anos, contracenando com grandes nomes como Nathalia Timberg e Eva Wilma. Como essa experiência precoce moldou sua visão sobre a atuação e o profissionalismo?
Foi muito importante essa experiência, foi muito importante na minha trajetória em geral, porque foi o meu primeiro trabalho e eu não tinha muito ideia do que eu tava fazendo. Foi muito na prática e eu acho que aprendi muito tendo as duas, que são atrizes grandes, um elenco que apoiou tanto. Além delas serem muito incríveis, elas são muito experientes, então eu acho que isso me moldou muito como artista mesmo. Eu acho que eu comecei já com uma responsabilidade muito grande de estar ao lado delas, mas também consegui aprender muita coisa e tive muita sorte de aprender essas coisas muito, muito nova.

Sua formação é extremamente versátil, abrangendo desde artes marciais até tipos de dança e instrumentos musicais. Esse repertório técnico influencia seu processo de criação para novos personagens ou projetos musicais?
Eu acho que essa versatilidade ajuda muito na hora de construir personagem, porque eu sempre gostei muito de tudo, dança, música, interpretação, lutas. Sempre busquei ter várias habilidades para eu poder ser mais versátil mesmo, para, na hora de um personagem, eu ter mais ferramentas para aquele personagem. Cada personagem é uma nova vida, uma nova pessoa, uma forma de andar, de falar, um outro passado. Então eu acho que ajuda a eu ter mais habilidades e saber explorar o máximo possível do que eu tenho do meu corpo para oferecer para o personagem. E nos clipes ajuda muito também, porque eu posso realmente soltar a criatividade e me jogar. Acho que vai conectando a música com a interpretação e vice-versa.
"Cada personagem é uma nova vida, uma nova pessoa, uma forma de andar, de falar, um outro passado."

Você participou de grandes musicais, como "A Noviça Rebelde" e "Shrek – O Musical". O que mudou ao trabalhar com artistas que considera inspirações, como Larissa Manoela, durante as gravações?
Eu acho que me ensinou muito a maturidade, porque a Larissa Manoela, por exemplo, era o sonho da minha vida. Eu ia a todos os shows, via os filmes, comprava livro, tinha roupa, tinha tudo dela. Quando conhecia, eu chorava. Acho que me deu uma certa maturidade de aprender a lidar com o fato de eu ser fã da pessoa, admirar a pessoa e estar ali como colega de trabalho. Naquele momento em que eu estava na "Noviça Rebelde", ela não era a Larissa Manoela, ela era minha colega de trabalho, minha irmã na peça. Eu aprendi muito a lidar com as emoções e entender esse lugar. Além dela, também trabalhei com pessoas como a Marina Ruy Barbosa, que eu admirava muito. Acho que isso me ajudou a entender, desde muito nova, que ali a gente estava trabalhando e precisava somar.

Além da atuação, você consolidou uma carreira na música autoral. Como você descreveria o processo de transição do seu visual e da sua sonoridade de 2021 para a artista que vemos hoje?
Eu acho que literalmente tudo mudou. Mudou o cabelo, o visual. Na época eu cortei o cabelo para começar essa nova fase como cantora, pintei de rosa embaixo, foi todo um momento. Mas eu era muito menina ainda, tinha 14 anos, e hoje estou com 19. É uma fase em que a vida muda completamente. Eu deixei de ser criança, virei adolescente e agora estou me tornando mulher. Cresci muito como pessoa, amadureci muito, vivi muita coisa. E, principalmente, mudei completamente o meu estilo de música. Eu tinha referências muito ligadas ao pop americano, que eu amo até hoje, mas sentia que não conseguia traduzir isso nas minhas composições. Ainda não tinha encontrado minha sonoridade. Com o álbum, fui pesquisando mais referências brasileiras, conhecendo novos artistas e novas músicas. Finalmente consegui encontrar o que eu gosto e tenho muito orgulho do que estou lançando hoje.
"Naquele momento, ela não era a Larissa Manoela, ela era minha colega de trabalho, minha irmã na peça."
A música "Eu Não Falei para Ninguém" aborda um tema sensível como o bullying. Qual foi a importância de transformar essa experiência pessoal em arte para se curar e ajudar outras pessoas?
Eu acho que foi a maneira que eu encontrei de me curar mesmo. Se eu não tivesse feito isso, teria demorado muito mais, porque foi uma experiência muito difícil. Eu sofri ameaça, foi muito pesado, e eu era muito nova. Escola é um momento muito delicado. Acho que foi a forma que encontrei de tirar aquilo de dentro de mim, depois de conseguir falar para alguém. Quando lancei a música e vi que muita gente veio falar comigo dizendo que se identificava e que eu tinha ajudado de alguma forma, eu fiquei muito grata por ter exposto essa ferida. Percebi que isso podia ajudar pessoas que talvez não tivessem o mesmo suporte que eu tive. Foi realmente a forma que encontrei de me curar e hoje vejo a arte muito nesse lugar, de transformar dor em algo que possa acolher outras pessoas.
Você lançou seu primeiro álbum de estúdio antes dos 20 anos e comentou que ele foi estruturado como uma obra completa. Como foi criar esse universo narrativo em que cada faixa revela uma camada da sua personalidade?
Eu acho que foi uma descoberta. A gente já sabia que queria fazer um álbum, mas no início não tinha uma história definida. As coisas foram surgindo aos poucos. Eu tinha acabado de terminar um relacionamento, escrevemos sobre isso, sobre fases da minha vida que eu estava vivendo. Eu queria muito ser honesta no álbum, trazer experiências minhas, boas e ruins. Não queria fazer músicas que eu não tivesse vivido. Depois de um ano e meio trabalhando, fomos percebendo que existia uma linha cronológica. A música "Antes dos 20" surgiu no meio do processo e foi quando eu entendi que o álbum era sobre tudo o que eu vivi, senti e quis colocar para fora antes dos 20 anos. Acho que foi um processo de descoberta.
"Percebi que aquilo podia ajudar pessoas que talvez não tivessem o mesmo suporte que eu tive. Foi a forma que encontrei de me curar."
Com uma carreira que transita entre novelas, musicais e música, como você equilibra essas diferentes facetas artísticas? E o que podemos esperar dos próximos capítulos da sua trajetória?
Eu tento equilibrar os dois porque são duas paixões muito fortes. Ao mesmo tempo, entendo que são carreiras diferentes e que exigem coisas diferentes de mim. A atuação pede uma dedicação, um tipo de estudo e de vivência. A música exige outro tipo de movimento. Hoje estou justamente buscando esse equilíbrio, me jogando em processos criativos, fazendo arte de todas as formas possíveis e deixando a minha intuição me levar. Acho que esse é o caminho que quero seguir daqui para frente.