
CAPA ESPECIAL
Cariúcha
A mulher que recusou o roteiro que escreveram pra ela

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Ela virou meme antes de virar apresentadora — e não tem a menor intenção de pedir desculpa por isso. Cariúcha chegou pela Garota da Laje, ficou pelo talento e nunca mudou o linguajar para agradar quem achava que precisava. Agora, à frente do SuperPop na RedeTV!, ela ocupa o espaço com alegria, autenticidade e a certeza de quem sabe exatamente de onde veio. A YOUR Magazine ouviu tudo.
“Só quem se arrisca merece viver o extraordinário”
Cariúcha fala sobre coragem, família, linguajar popular e o peso — e o privilégio — de assumir o SuperPop depois de 25 anos de Luciana Gimenez
Você foi um meme antes de ser uma apresentadora. Hoje, olhando para trás, a Garota da Laje foi o seu maior obstáculo ou o seu maior trampolim?
Sim, eu fui meme bem antes de ser apresentadora, bem antes de ser repórter. Eu enxergo que o meme abriu as portas pro meu estrelato. O meme da Garota da Laje foi fundamental na minha vida — então é só gratidão. Foi o meu maior trampolim. Ele me trouxe visibilidade, me deixou conhecida e me levou pra televisão.

Você estava bem no SBT e ainda assim foi você quem mandou a mensagem para a RedeTV!. De onde vem essa coragem de sempre ir atrás?
Sim, eu estava muito bem no SBT — o programa no auge, todo dia a gente repercutia nas páginas de fofoca, na internet. Fui atrás porque vi que tinha uma vaga e o meu nome já estava na mesa da diretoria. Juntou o útil ao agradável: eles me queriam e eu queria eles. A minha coragem vem de onde eu vim. De onde eu vim sempre me encorajou a sair do conforto. Eu sou feita de desafios. Só quem se arrisca merece viver o extraordinário.

Você fala muito nos seus filhos e na sua mãe como motivação. O que eles representam pra você nos momentos em que a vida pública pesa?
A minha família pra mim é tudo. Só que eu preservo muito bem a minha família — eu tento não mostrar muito eles, principalmente o Nícolas, que ainda é uma criança. A Mirela aparece um pouquinho mais. Mas nos momentos em que a vida pública pesa, eu não trago eles pra minhas redes sociais, pra TV. É a forma que eu tenho de proteger quem eu mais amo.
Numa TV que ainda pede que mulheres se enquadrem, você construiu carreira sendo exatamente quem é. Isso já te custou alguma coisa?
Sim, pesa — e pesa até hoje. As pessoas criticam muito o linguajar que eu uso. Mas o linguajar que eu falo é o linguajar que a maioria do Brasil fala. A diferença é que eu falo numa TV aberta. O que eu falo é o que todo mundo fala — só que quando é uma apresentadora, quando é num canal de televisão, pesa mais. Mas eu falo sem filtro porque eu não tenho medo de cancelamento.

Você assume o SuperPop depois de 25 anos de Luciana Gimenez. O que esse programa vai ter que só existe porque é você à frente?
É uma responsabilidade muito grande assumir o SuperPop, ainda mais com uma das maiores apresentadoras de televisão desse país — eu admiro muito a Luciana Gimenez, sou fã do trabalho dessa mulher, acho ela maravilhosa. Mas o que vão esperar de mim, o que só eu tenho, é a minha alegria, as minhas loucuras, as minhas doideiras e o meu linguajar popular.
