YOUR Magazine — há 10 anos do Brasil para o mundo

CAPA ESPECIAL
Ju
Knust
Entre novos projetos, estilo de vida e uma carreira consolidada, a atriz revela o que realmente inspira sua trajetória.
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Fotos Nanda Araújo; Produção executiva e Styling Samantha Szczerb
Beleza Ric Menezes; Agradecimentos Pathy, Gutê; Assessoria First Press Comunicação
Depois de quase trinta anos diante das câmeras, Ju Knust decidiu experimentar o outro lado da história. Hoje ela é produtora, ainda nos primeiros passos, aprendendo a enxergar tudo que existe antes de uma história chegar ao palco.
Nesta entrevista para a YOUR, Ju fala sobre essa nova fase com a honestidade que sempre marcou sua trajetória.Relembra a pressão estética de quando estreou na Globo aos 15 anos, comenta a separação depois de 15 anos de casamento e o projeto que criou para acolher mães de atletas, inspirado na própria experiência como mãe de dois filhos no esporte. No fim, tudo se resume a um equilíbrio novo, onde cuidar de si deixou de ser sobre aparência e passou a ser sobre viver com mais sentido.
Você passou de quase três décadas sendo dirigida para agora dirigir os bastidores como produtora. O que essa virada te ensinou sobre controle e confiança?
Na verdade, ainda estou dando os primeiros passos como produtora. Os projetos que escolhemos ainda estão na fase de captação de recursos, então tenho vivido esse processo muito de perto. E ele tem sido uma grande escola.
Como atriz, durante muitos anos eu chegava para contar uma história. Hoje, estou começando a entender tudo o que precisa acontecer antes que essa história chegue ao palco. É um universo complexo, cheio de desafios, de negociações, de pessoas envolvidas e de decisões difíceis.
Essa experiência aumentou muito o meu respeito por quem produz cultura no Brasil. Fazer um projeto acontecer exige persistência, paciência e uma capacidade enorme de lidar com o que está fora do nosso controle.
Ao mesmo tempo, percebi que confiar é essencial. Confiar nos parceiros, nas pessoas que caminham com você e também no tempo das coisas. Estou aprendendo muito e acho bonito viver esse lugar de iniciante de novo.
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Você foi muito franca sobre a pressão estética do início da carreira e a depressão que isso te trouxe. Olhando pra trás, o que você diria pra aquela Ju de 15 anos que estava estreando na Globo?
Eu diria para ela ser mais gentil consigo mesma. Aos 15 anos, a gente acredita que precisa corresponder às expectativas de todo mundo e esquece de ouvir a própria voz. Eu carreguei uma cobrança muito grande, principalmente com a aparência, e isso teve um preço alto. Hoje eu entendo que nenhuma carreira vale a nossa saúde mental. Gostaria que aquela menina soubesse que ela já era suficiente exatamente como era.
"Nenhuma carreira vale a nossa saúde mental. Gostaria que aquela menina soubesse que ela já era suficiente exatamente como era."

Teatro, cinema, produção, bem-estar, maternidade. Como você organiza a cabeça pra não se perder em tantas frentes ao mesmo tempo?
Eu não tento dar conta de tudo ao mesmo tempo. Acho que esse foi um aprendizado importante. Eu estabeleço prioridades, entendo qual projeto precisa mais de mim em cada momento e procuro estar inteira onde escolhi estar. Também aprendi que pedir ajuda não é sinal de fraqueza. Tenho uma rede de pessoas em quem confio e isso faz toda a diferença.

O projeto voltado para mães de atletas nasceu de uma inquietação pessoal ou de algo que você observou de fora?
Nasceu das duas coisas. Como mãe de dois atletas, eu, há muitos anos, vivo muitas emoções que só quem está nessa posição entende.
Existe uma cobrança enorme sobre os filhos, mas existe também uma carga emocional muito grande para quem acompanha tudo de perto. Ao mesmo tempo, comecei a perceber que muitas mães passavam pelas mesmas angústias, dúvidas e medos. Foi daí que surgiu a vontade de criar um espaço de acolhimento, informação e fortalecimento. Cuidar da mãe também é uma forma de cuidar do atleta.
"A vida acontece ali, nas pausas, no silêncio, nas conversas de verdade. As redes são uma ferramenta importante, mas não podem substituir a experiência de viver."
Depois de 15 anos de casamento e uma separação pública, o que mudou na forma como você lida com a exposição da vida pessoal?
Acho que hoje eu encontrei um equilíbrio melhor entre expor e preservar. As redes sociais criaram uma corrida muito intensa. Quanto mais você posta, mais cresce. Quanto mais vc mostra a sua vida, mais engaja. E, por um tempo, eu fiquei tentando entrar nessa lógica.
Eu vivia uma dualidade. Queria estar presente nas redes, porque entendo que elas fazem parte do meu trabalho. Mas, ao mesmo tempo, não queria que elas ocupassem a minha vida. Sou de uma geração que cresceu sem internet. Tudo isso chegou muito rápido e fomos aprendendo no caminho.
Com o tempo, percebi que a rede social não pode comandar a minha rotina. Eu quero ter tempo para ler um livro, assistir a um filme, conversar sem olhar para o celular, viver momentos que não precisam ser registrados o tempo todo.
Hoje valorizo muito o offline. A vida acontece ali, nas pausas, no silêncio, nas conversas de verdade. As redes são uma ferramenta importante, mas não podem substituir a experiência de viver. Acho que estou aprendendo, aos poucos, a equilibrar esses dois mundos.
Você é sócia de um spa e fala bastante sobre saúde mental. Existe uma conexão direta entre esse cuidado com o corpo e o momento de reconexão que você diz estar vivendo?
Totalmente. Durante muito tempo eu enxergava o autocuidado como algo ligado apenas à estética. Hoje ele tem outro significado. Cuidar do corpo é também cuidar da mente, respeitar os limites, descansar, estar perto da natureza e criar momentos de silêncio. Essa reconexão tem muito mais a ver com equilíbrio do que com aparência. É sobre viver uma vida que faça sentido.
