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Você começou no Tablado e hoje circula entre TV, teatro, música, cinema e dublagem. Em qual dessas linguagens você se sente mais em casa, e em qual ainda sente frio na barriga?

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O teatro é meu lugar de origem, onde aprendi tudo. É lá que me sinto mais à vontade. Nem por isso deixei de sentir o friozinho na barriga, que na verdade revela o tanto de vontade de entregar o meu melhor. Sempre desconfio de trabalhos que não produzam essa sensação.

 

Treze anos de Tuco, toda quinta-feira, em um seriado que virou memória afetiva de várias gerações. O que esse personagem deixou em você, e o que você levou dele para os papéis seguintes?

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Um trabalho de dramaturgia durar tanto tempo, com o mesmo elenco e equipe, mantendo a qualidade e o sucesso, só é possível com um grupo de artistas e técnicos muito comprometido e unido. De todas as lindas lições que aprendi em A Grande Família, talvez essa tenha sido a mais valiosa: a importância de uma equipe trabalhar em prol de um mesmo objetivo. Já o Tuco foi fundamental para me reposicionar como ator, pois eu vinha dos programas humorísticos, onde a graça estava na minha performance. Na Grande Família aprendi a trabalhar com a graça do texto, sem necessidade de exageros ou improvisos. Foi um exercício de humildade para um jovem comediante que gostava de aparecer. Aprendi muito com meus colegas de elenco. Me tornei um profissional melhor.

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Você já foi o protagonista de “Malhação Viva a Diferença”, o poeta Mário Vianna em “Bom Sucesso” e o advogado inescrupuloso de “Quanto Mais Vida Melhor”. Como escolhe seus papéis, e existe algum que ainda esteja na lista de desejos?

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Na verdade, são as relações que construímos dentro da profissão que nos proporcionam as grandes oportunidades. O que não falta é personagem a ser feito, mas tão importante quanto eles é saber quem estará na equipe: os autores, quem vai dirigir. Na televisão, então, isso tem um peso enorme. São 8 a 10 meses de convivência. Importante ter alguém de confiança na condução.

 

Como autor, você levou “Novos Baianos” aos palcos de São Paulo e do Rio. O que te atraiu nessa história, e o que é mais difícil: escrever, dirigir ou atuar?

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Novos Baianos foi uma aventura muito especial. Poder homenagear ídolos tão amados num espetáculo é um feito inesquecível. Por serem uma grande família da música, havia uma grande conexão com a minha história enquanto artista. Foi o primeiro musical que escrevi. Dá muito trabalho, mas tudo é difícil, pois o diretor tem que fazer aquele texto acontecer em cena, através das marcas e da condução de seus atores. Mais uma vez, a equipe foi fundamental: Otávio Müller na direção, Pedro Baby e Davi Moraes na música, e nosso elenco tão talentoso. Outra equipe fantástica com a qual tive a honra de trabalhar.

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Todo sábado, a sua banda toca com convidados que vão de Alceu Valença a Anitta. Como é conduzir a música de um programa de variedades, e o que acontece quando o convidado foge do roteiro?

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É uma novidade maravilhosa na minha vida. Ali eu coloco um pouco de tudo, meu lado produtor entra em ação, fazendo com que tudo se organize desde o começo do dia: a passagem de som, o atendimento aos pedidos dos convidados. Nossa banda tem que estar pronta para qualquer solicitação, sempre com o repertório à mão. Nossos convidados têm que se sentir à vontade para sair do roteiro. E nós, preparados para isso.

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Você e Bruno Mazzeo são filhos de gigantes do humor brasileiro e agora dividem o palco em “Gostava Mais dos Pais”. O título é uma provocação ou uma confissão? O que essa comédia diz sobre pais, filhos e herança?

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A provocação do título, na verdade, é um sincericídio comum que os fãs cometem quando nos encontram, mesmo nos dias de hoje: a vontade de dizer que, antes de nós, já eram fãs de nossos pais. E a gente entende, temos orgulho disso! O título também é uma falsa pista, já que o público vai esperando saudosismo e reverência, e quando chega lá descobre dois cinquentões falando dos dramas atuais, de como se virar na era das redes sociais e das dancinhas do TikTok. A peça celebra o passado, mas fala do presente e, consequentemente, aponta o futuro. Falamos com todas as idades: nossa plateia vai, literalmente, dos oito aos oitenta anos.

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Você empresta a voz ao Po na quarta parceria com “Kung Fu Panda”. O que a dublagem exige que a TV e o teatro não exigem, e o que um panda desastrado ensina a um ator?

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A dublagem é um trabalho extremamente técnico. Demanda muita concentração, além dos cuidados físicos na preparação e manutenção da voz. Em Kung Fu Panda temos a questão das lutas e, consequentemente, o cuidado para que gritos e esforços não firam o aparelho vocal. É necessário descanso e exercícios fonoaudiológicos para aguentar as 5 ou 6 sessões necessárias para se realizar um trabalho como esse. Tenho um carinho muito grande pelos quatro filmes do Kung Fu Panda, tanto que raramente aceito convites para outros personagens de animação. O Po é uma marca registrada do meu trabalho, um dos maiores orgulhos da minha carreira.

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