A LOUIS VUITTON LEVA O OCEANO PARA PARIS
- Redação

- 24 de jun.
- 2 min de leitura
Com uma onda de dez metros e uma praia de areia fina montada do zero, Pharrell Williams transformou a Semana de Moda masculina em algo que parecia, ao mesmo tempo, um sonho e um campeonato de surfe de alto luxo

Existem marcas que fazem desfiles. E existe a Louis Vuitton, que constrói experiências destinadas a permanecer. No dia 23 de junho, em Paris, Pharrell Williams escolheu a Cité Internationale Universitaire, no 14º arrondissement da capital francesa, como palco para apresentar a coleção masculina Primavera-Verão 2027 da maison.
O cenário que os convidados encontraram ao chegar dispensava qualquer apresentação: uma onda azulada de cerca de dez metros se projetava sobre uma praia de areia fina, onde as cadeiras estavam posicionadas. Paris, pleno verão europeu, e a Louis Vuitton entregando brisa oceânica. Sem metáforas.
"Não vejo isso como um desfile de moda. Vejo como uma experiência dândi." , Pharrell Williams
Enquanto o som das ondas cedia espaço a uma orquestra ao vivo, os modelos emergiam da estrutura monumental vestindo peças que transitavam do alfaiate relaxado ao wetsuit completo, marcando a primeira vez que a Vuitton estampou seu Monograma em equipamento de mergulho funcional. Umia decisão que, em outras mãos, poderia soar excessiva. Aqui, soou inevitável.
A premissa da coleção era clara e elegante: conduzir o mesmo homem da sala de reuniões até a beira-mar sem que ele perdesse a própria identidade no caminho. Casacos de caxemira canelada e robes de lã, inspirados nas peças que surfistas vestem após uma sessão gelada, dividiram a passarela com camisas havaianas de estampa de palmeiras e shorts jeans desfiados. Sofisticação e leveza coexistindo sem negociação, como deveria ser sempre.

Algumas peças concentraram a atenção com naturalidade: uma jaqueta coberta de patches de destinos visitados, uma bomber de couro em rosa-vibrante, um colete bordado com palmeiras cintilantes, uma corrente com mosquetão em formato de garra de caranguejo. Cada detalhe funciona como evidência de que Pharrell não está respondendo a uma tendência de temporada. Ele está, deliberadamente, construindo um universo próprio dentro da casa.
"Inspirada pelo surfe, um estilo de vida universal que transcende culturas e crenças."
A paleta percorria azul-céu, off-white, bege, verde-pastel, ocre e cinza, com o preto reservado para os momentos em que o dândi precisava atravessar a areia com mais formalidade. Contradição calculada, território onde Pharrell costuma se sentir mais à vontade.
Entre os convidados, os embaixadores da marca Jeremy Allen White, Jackson Wang e J-Hope marcaram presença no campus universitário. Do lado de fora, algumas dezenas de manifestantes se reuniram na entrada em protesto relacionado a condições de moradia estudantil no local. A moda de alto nível raramente acontece no vácuo, e este desfile não foi exceção.
O que permanece é a imagem: uma onda gigante erguida no coração de Paris, e dentro dela, uma proposta coerente sobre como o homem contemporâneo pode vestir o luxo sem abrir mão da liberdade. Pharrell Williams surfou a própria onda. E chegou em pé à margem.









