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LETÍCIA MANZAN: A ESTILISTA BRASILEIRA QUE TRANSFORMOU O ARTESANAL EM PRESTÍGIO INTERNACIONAL

Há quem fale de moda. Letícia Manzan a constrói ponto a ponto. À frente da Manzan Brand há mais de uma década, a estilista mineira transformou o bordado artesanal, o brilho e a modelagem precisa em uma linguagem reconhecida por grandes nomes da cena brasileira — de Adriane Galisteu a Ana Hickmann. Com passagens pelas semanas de moda mais relevantes do país e uma parceria com a Swarovski no currículo, Letícia é hoje um dos nomes mais respeitados do luxo nacional.



Nesta entrevista, ela fala sobre criação, liderança feminina e o equilíbrio entre gerir uma marca de prestígio e ser mãe de dois filhos.


A Manzan Brand tem uma estética muito reconhecível — bordado artesanal, brilho, modelagem pensada para o corpo. Como essa linguagem se formou ao longo do tempo? Ela veio de uma decisão clara ou foi se revelando pela prática?


A estética da Manzan não foi um acaso, mas também não nasceu pronta. Ela foi sendo refinada com muita consciência ao longo do tempo. Desde o início, eu tinha muito claro que queria criar peças que fossem percebidas como joias, não apenas roupas. O bordado artesanal, o brilho e a modelagem que valoriza o corpo são ferramentas que eu uso para materializar essa visão.

Com a prática, isso foi se tornando ainda mais preciso. Eu entendi o que realmente emociona a cliente, o que faz ela se sentir única. Hoje, a nossa linguagem é muito reconhecível porque ela é extremamente coerente.



Você começou sua trajetória em Minas Gerais e construiu uma marca com projeção nacional e internacional. O que Minas Gerais te deu que você carrega até hoje no trabalho?


Minas me deu base. Me deu profundidade, cuidado e respeito pelo processo. Existe um olhar muito apurado para o fazer manual, para o detalhe.

Eu carrego isso em tudo. Mesmo com uma marca que cresce e ganha escala, eu não abro mão do olhar artesanal. A Manzan pode estar em qualquer lugar do mundo, mas ela carrega essa essência de origem, que é o que sustenta a autenticidade da marca.


Parcerias como a com a Swarovski e a presença nas semanas de moda mais importantes do país marcam uma escala diferente de visibilidade. Como você mantém a integridade artesanal da marca quando o nível de exigência e exposição cresce?


Crescer não pode significar perder essência. Pelo contrário, exige ainda mais rigor.

A nossa estrutura foi sendo profissionalizada para suportar essa escala, mas sem abrir mão do controle criativo e da qualidade. Eu acompanho de perto cada etapa, principalmente aquilo que é sensível para a identidade da marca, como o bordado e a construção das peças.

A visibilidade aumenta a responsabilidade.


Você veste mulheres com perfis e presenças muito distintas — Adriane Galisteu, Ana Hickmann, Thayla Ayala. O que você leva em consideração quando cria para uma personalidade específica? Existe um ponto de equilíbrio entre a identidade da peça e a identidade de quem vai usar?


Sempre existe um equilíbrio, mas a base é entender profundamente quem é essa mulher.

Eu não acredito em vestir alguém com algo que não traduza a essência dela. O meu trabalho é potencializar a presença dessa mulher através da linguagem da Manzan.

Então, a peça nunca é sobre mim sozinha. É sobre um encontro entre a identidade da marca e a identidade de quem está vestindo. Quando isso acontece de forma verdadeira, o resultado é muito potente.



Você falou que a maternidade influencia diretamente como você organiza o tempo, toma decisões e conduz a equipe. Pode aprofundar isso? De que maneira ser mãe mudou — ou afinou — a forma como você lidera?

A maternidade trouxe uma clareza muito grande sobre prioridade e tempo.

Hoje, eu sou muito mais objetiva nas decisões. Eu entendi que energia é um recurso valioso e precisa ser direcionada com inteligência.

Como líder, isso me deixou mais estratégica e também mais humana. Eu tenho mais sensibilidade para lidar com pessoas, mas ao mesmo tempo sou muito firme em relação a resultado e responsabilidade.


Dentro do mercado de moda de luxo brasileiro, que ainda tem muito do olhar voltado para fora, o que significa para você afirmar uma marca 100% autoral, feita à mão, com origem mineira? É uma posição estética, política, ou as duas coisas ao mesmo tempo?

As duas coisas.

É estética porque existe um valor real naquilo que é feito à mão, com identidade própria. E é política porque eu acredito que o Brasil tem capacidade de produzir luxo com excelência, sem precisar se validar através de referências externas.

A Manzan é uma afirmação de que o nosso olhar, a nossa mão de obra e a nossa cultura têm valor.



O que está por vir para a Manzan Brand? Existe algum projeto, coleção ou direção criativa que você ainda não realizou e que sente que é o próximo passo necessário?


A Manzan está em um momento de expansão muito consciente.

Estamos fortalecendo o atacado, ampliando presença física e, ao mesmo tempo, elevando ainda mais a experiência do sob medida. Existe um trabalho forte de posicionamento internacional e de construção de marca como referência de luxo autoral brasileiro.

Criativamente, eu continuo aprofundando a nossa linguagem, não mudando ela. O próximo passo não é ser diferente, é ser ainda mais consistente, mais desejada e mais relevante.



 
 
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