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RAISSA LEME E A ARTE DE EXPANDIR REALIDADES

Raissa Leme, modelo, fundadora e visionária, redefine o que significa expandir realidades.


A introdução foi construída em quatro movimentos — a partida aos 16 anos, a chegada à MOTHER e ao Le Zoo, a citação-âncora dela sobre empreender, e o fechamento sobre maternidade e legado. A frase final vira o próprio conselho que ela dá em entrevista.



Ela não esperou permissão. Nunca esperou.


Aos 16 anos, Raissa Leme deixou Sorocaba com malas leves e uma intuição inabalável. Da China ao Líbano, da África do Sul às passarelas de Milão, cada fronteira cruzada foi, também, uma fronteira interior vencida. O mundo da moda a recebeu com Louis Vuitton, Calvin Klein e Revlon — mas ela sempre soube que havia algo além das objetivas.


Hoje, de Brooklyn, Raissa comanda a MOTHER, estúdio multidisciplinar de tecnologia fundado ao lado de Kelsey Falter que já captou 4,5 milhões de dólares em rodada pré-seed. O próximo passo: Le Zoo, um jogo virtual que desafia a criatividade e atua sobre a neuroplasticidade humana — porque o mercado de games, na sua visão, pode ser muito mais do que vício.


"Empreender é exatamente isso: ter a coragem de sustentar uma visão sem ter todas as respostas."

Mãe de Rio, com um ano, e líder de uma empresa em expansão acelerada, Raissa navega a exaustão com a mesma elegância com que atravessou fronteiras. Suas manhãs pertencem ao filho. Suas madrugadas, à construção de um legado. E o conselho que ela deixa para cada menina que sonha em ocupar espaços que não foram feitos para ela é simples, direto e poderoso: o sim mais importante da sua vida é o seu.


Confira abaixo:


Você saiu de Sorocaba aos 16 anos, morou em vários países e trabalhou com grandes marcas da moda global. Como essa experiência de conhecer tantas culturas diferentes te ajudou a virar uma empreendedora de sucesso?


Acredito que a minha maior escola não foi uma sala de aula, mas a capacidade de adaptação. Sair de casa aos 16 anos me forçou a encarar o mundo de frente. Quando você mora em países diferentes e transita por lugares desconhecidos o tempo todo, você acaba fazendo as pazes com o incerto. Eu aprendi a ficar confortável com o desconforto. Hoje, entendo que empreender é exatamente isso.


Grande parte de construir uma empresa é ter a coragem de sustentar uma visão sem ter todas as respostas ou saber o resultado final. No empreendedorismo, nem tudo é uma conta exata de 1 + 1 = 2. Muitas vezes, o que te mantém de pé é a confiança na própria intuição e a agilidade para aprender enquanto caminha, mesmo sem garantias.


Ter contato com realidades tão distintas expandiu meu olhar e me deu um repertório humano incrível. Aprendi a ler pessoas, a entender necessidades diferentes e a enxergar possibilidades onde antes eu via barreiras.



E tem um ponto que raramente menciono, mas que foi fundamental: a disciplina. Sair de onde eu saí me deu um senso de urgência. Eu sentia que não tinha margem para erro, então aprendi cedo a trabalhar com o que tinha em mãos, a aproveitar cada brecha de oportunidade e a me reinventar em tempo real. Essa vivência me moldou para não apenas sobreviver ao mercado, mas para liderar com resiliência.


Nesse processo de criação e expansão da MOTHER, na sua visão qual é o seu maior desafio prático em manter uma equipe engajada e a posição de liderança em uma startup?


O maior desafio, sem dúvida, é o equilíbrio entre comunicação e inspiração. Quando você funda uma startup, percebe rápido que não está mais cuidando apenas do seu próprio sonho; você se torna guardiã das expectativas, inseguranças e desejos de um grupo inteiro. É como reger uma orquestra onde cada músico vem de uma cultura diferente.


No ambiente de startup, a única constante é a mudança. As decisões são urgentes, os planos mudam da noite para o dia e o meu papel como líder é traduzir essa intensidade sem deixar que o time perca o chão. O desafio é converter o caos do crescimento em um propósito que faça sentido para todos. Por isso, acredito que a comunicação não é apenas uma ferramenta, é a espinha dorsal de uma empresa saudável.



Mas, sendo bem honesta, o meu maior desafio pessoal é o exercício de desapego. Quando você coloca tanta alma em um projeto, a tentação de centralizar e controlar cada detalhe é imensa. Preciso me policiar diariamente para não sufocar o processo. Liderar tem sido, acima de tudo, um aprendizado sobre confiança: entender que, para a empresa crescer, eu preciso delegar também.


Você mora em Nova York e é mãe do Rio, de um aninho. Como é a sua rotina real no dia a dia para dar conta de cuidar dele e, ao mesmo tempo, comandar uma empresa que está crescendo tão rápido?


Sendo bem direta: a rotina é exaustiva e não tem nada de romântica. Nos últimos meses, minha média tem sido de 4 ou 5 horas de sono por noite. Existe uma demanda intelectual e operacional muito alta na empresa e, como estou em uma fase de construção de muitos projetos, o silêncio da madrugada acabou virando o meu escritório principal. É o momento em que o mundo para e eu consigo produzir sem a culpa de sentir que estou 'perdendo' o tempo de qualidade com o Rio.


Mas eu fujo da narrativa da 'mulher maravilha'. Eu não dou conta de tudo sozinha, ninguém dá. Para que eu consiga focar na expansão da Mother e de outros projetos e ainda estar presente na vida do meu filho, existe uma rede de apoio essencial por trás de mim. Seja com o suporte da minha mãe, do meu parceiro ou de ajuda profissional, eu entendi que delegar o cuidado não me faz menos mãe, me faz uma empreendedora viável e uma mãe possível.



Nossas manhãs são sagradas, passamos as primeiras horas do dia só nós dois. Depois, eu vou para o escritório ou para o estúdio fotografar, no final da tarde volto para a rotina de brincadeiras e leitura antes dele dormir. Mas ser mãe faz parte de mim 24h por dia, porque mesmo não estando com ele durante todo o dia, tudo o que acontece na vida dele depende da minha energia e atenção. É um malabarismo constante. Tem dias que o equilíbrio funciona, tem dias que o cansaço vence, mas o que me mantém sã é saber que tenho suporte para poder escolher onde minha energia é mais necessária em cada momento do dia.


Você tem uma história incrível, sendo uma mulher preta que saiu da periferia para o mercado global. Que conselho prático você daria para outras meninas e mulheres que também sonham em abrir o próprio negócio e inovar?


O meu conselho mais importante é: não espere permissão de ninguém para realizar o seu sonho.


Parece simples, mas para mulheres como nós, a sociedade muitas vezes desenha um roteiro que limita onde devemos estar e até onde podemos chegar. Se eu tivesse esperado por um sinal verde, por um cenário ideal ou pela validação de terceiros, eu ainda estaria em Sorocaba. A inovação nasce da audácia de ocupar espaços que não foram projetados para nós.



Na prática, isso significa que você não precisa ter todos os recursos do mundo para começar, mas precisa ter a coragem de ser a primeira a acreditar na sua ideia. Muitas vezes, a permissão que a gente busca no outro é, na verdade, o medo que a gente tem de falhar. Mas o erro faz parte do processo de quem está desbravando caminhos novos.


Minha trajetória me ensinou que nada é impossível, o seu maior sonho pode ser conquistado. Talvez você só precise de um pouco mais de tempo que outras pessoas. Entenda as regras do jogo para poder subvertê-las. Busque repertório, estude, se cerque de pessoas que expandam sua visão, mas nunca entregue a chave do seu destino na mão de outra pessoa. O 'sim' mais importante que você vai receber na vida é o seu.



 
 
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