TODOS OS PALCOS DE KAROL MORAIS

Bailarina clássica, miss, repórter e hoje apresentadora do Fofocalizando, no SBT. Karol Morais reuniu em poucos anos um currículo que muita gente levaria uma vida inteira para juntar. Formada pela Royal Academy of Dance, instituição fundada em Londres em 1920 e referência mundial no ballet clássico, ela trocou (quase) os palcos pela televisão, sem largar a dança de vez. Em 2025, foi eleita Miss Universe São Paulo, tornando-se a 6ª mulher preta a conquistar o título e a primeira mãe da história do concurso. Nesta conversa com a YOUR, Karol fala de disciplina, exposição, saúde mental e do que ainda falta na lista de sonhos, casa própria incluída. Você passou por universos bem diferentes: o ballet, o reality da beleza no Miss Universe São Paulo, o jornalismo no Viva Noite e agora o entretenimento no Fofocalizando. Qual desses mundos mais te ensinou sobre você mesma?
O mundo que mais me ensinou foi o mundo Miss. O reconhecimento interno foi muito importante para a minha evolução como pessoa. A gente aprende a lidar com limites e desafios, e isso nos torna mais humanos e muito mais empáticos.
O mundo Miss é uma transformação e uma realização pessoal. Sempre quis incentivar mulheres e pessoas a conquistarem espaços que, muitas vezes, pareciam jamais vistos. Principalmente por ser a 6ª mulher preta eleita Miss Universe São Paulo e a primeira mãe da história do concurso.
Em contrapartida, os desafios na área da comunicação me deram cada vez mais oportunidades de me expressar, entreter e me conectar com as pessoas.
O Fofocalizando, por exemplo, foi um grande desafio, pois estamos ali lidando com a vida e as situações de pessoas da mídia. Precisamos dar nossa opinião de forma firme, mas também sensata, sabendo abordar cada assunto com responsabilidade.

Sair da bancada de repórter para apresentar um programa como o Fofocalizando muda completamente a relação com o público. Como foi essa transição e o que você precisou desconstruir da Karol repórter para construir a Karol apresentadora?
A reportagem fez e ainda faz parte da minha vida. Ela se tornou um dos meus maiores desafios e também uma das minhas maiores escolas. O diretor Jefferson acreditou em mim e viu que eu poderia seguir nessa área. Eu me dediquei muito e continuo estudando e buscando evoluir.
Na apresentação, comecei no Baú da Felicidade/Jequiti, onde permaneço aos domingos, e essa experiência me deu muita bagagem. Posteriormente, segui apresentando outro programa da casa, o Sessão Mais SBT, onde, ao lado da nossa diretora Norma, comecei a ser cada vez mais lapidada e a adquirir novos conhecimentos.
E assim chegou o Fofocalizando, que tem sido muito desafiador por ser um entretenimento real, falando sobre pessoas e suas vidas pessoais, muitas vezes ao vivo e sem tempo para pensar. (risos)
É uma experiência que tem me proporcionado muito conhecimento e muita troca com meus colegas, que me receberam muito bem. A cada dia, venho aprendendo e evoluindo ainda mais.
A disciplina da dança costuma marcar quem passou por ela para sempre. O que do bailarino ainda vive em você, mesmo longe dos palcos do SBT?
Sou bailarina clássica formada pela Royal Academy of Dance de Londres, aqui no Brasil, e o ballet me deu toda a base e muitos dos caminhos que me trouxeram até quem sou hoje.
Ainda danço. Não migrei totalmente de carreira e sempre repito que a dança alimenta a minha alma.
Então, enquanto eu puder manter a dança na minha vida, mesmo que com menos constância, vou mantê-la.

Concorrer a um título como Miss Universe São Paulo expõe a mulher de um jeito muito particular, corpo, discurso, postura, tudo em avaliação. O que essa experiência revelou sobre a forma como você lida com julgamento e exposição?
A mulher é julgada o tempo todo, seja pela sua forma física, sua cor, seu gênero ou pelas suas escolhas.
Participar de um concurso estadual como o Miss Universe São Paulo e, posteriormente, representar o estado em um concurso nacional como o Miss Universe Brasil traz uma responsabilidade enorme.
Eu confesso que os padrões impostos pela sociedade dialogam muito com aquilo que acredito e defendo. Minha posição ali era mostrar que a idade e o fato de ser mãe não são motivos para deixar de realizar um sonho.
O que sempre me fortaleceu foi manter os pés no chão e cuidar incansavelmente da minha saúde mental.
O entretenimento brasileiro tem um ritmo implacável, sempre pedindo a próxima novidade. Como você equilibra a vontade de crescer na carreira com a necessidade de cuidar da sua saúde mental em meio a essa correria?
Eu tento viver uma experiência de cada vez, mesmo com a vida me trazendo tantas surpresas neste ano.
Como disse, procuro cuidar da minha saúde mental, mas também mantenho uma conexão muito forte com meus amigos de verdade e, principalmente, com a minha filha e minha mãe, que são minhas maiores e mais genuínas conexões.
São elas que me dão força para continuar realizando meus sonhos e projetando minha carreira.

Se você pudesse voltar no tempo e dar um conselho para a Karol que estava começando na dança, sabendo tudo que ela viveria depois, o que diria?
Eu diria:
"Siga firme e forte, porque o propósito de Deus é muito maior do que todos os desafios que você está enfrentando. Não abaixe a cabeça e continue lutando. No final, vai valer a pena!"
Olhando para frente, existe algum projeto ou sonho profissional que você ainda não realizou e que gostaria de compartilhar com os leitores da YOUR?
Tenho realizado muitos sonhos. Deus tem me trazido muitas oportunidades e estou vivendo experiências que, há algum tempo, eu nem imaginaria serem possíveis.
Acho que me manter na área da comunicação, crescer cada vez mais profissionalmente e conquistar minha casa própria, com tudo o que tenho direito (risos), seriam grandes realizações.
Seria completar algo que desejo construir e manter na minha vida, tanto pessoal quanto profissional.











