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"APERTA OS CINTOS, GAROTA" — PRISCILLA REIS EM SUA FASE MAIS INTENSA

Fotos: Arthur Germano; Beleza: Rapha Senna


Ela viveu em 32 países antes de completar 30 anos. Aprendeu a crescer sozinha do outro lado do mundo aos 15. Interpretou mulheres que carregam o peso do luto, da memória e do recomeço — e saiu de cada personagem um pouco diferente do que entrou. Priscila Reis é dessas atrizes que não separam ofício de existência: cada papel é também uma forma de entender a vida.

"Antes de ir para a China, era uma adolescente comum. De repente, me vi do outro lado do mundo — precisando me manter viva."

Nesta conversa, ela fala sobre as primeiras memórias, os países que a moldaram, a personagem que reescreveu seu olhar sobre a maternidade e sobre a mulher — e sobre a fase que chegou de vez, com tudo que ainda está por vir.

Primeira lembrança de querer ser atriz?


Tenho bem nítida essa memória, na casa da minha avó. Voltava da escola e, naquela época, tinha o horário de verão, que eu amava. Nós assistimos juntas Mulheres de Areia. Ali, naquele momento, lembro de já sentir uma vontade enorme de "brincar" de ser outra pessoa. Imagina gêmeas? Eu adoraria fazer Ruth e Raquel (risos).

Um papel que mudou algo em você de verdade?


A minha personagem "Bia", de Todo Dia a Mesma Noite. Quando participei da série que retrata o incêndio da Boate Kiss, meu olhar sobre a vida mudou. Na época, tinha a mesma idade daqueles jovens e frequentava boates também. Me pegou muito pensar quantas vezes já estive em lugares e situações que poderiam, por conta de uma irresponsabilidade, acabar da mesma forma. Hoje em dia, sempre que frequento shows e lugares fechados, já me ativa um sistema de alerta automático.



Palco ou câmera?


Os dois! Todo lugar em que posso exercer meu ofício me faz feliz.

O país que mais te transformou dos 32 em que você morou?


Costumo dizer que cada país deixou sua marca em mim, mas, sem dúvida, o primeiro país em que morei — a China — foi o que mais me transformou. Primeiro por ser a primeira vez que estava sozinha, do outro lado do mundo, começando uma profissão. Costumo dizer que, antes de ir para lá, minha rotina era ir ao colégio, visitar meus avós, ver meus amigos... uma vida comum de uma adolescente de 15 anos. E, de repente, me vi do outro lado do mundo, morando sozinha, em um país muito diferente do meu, precisando me virar com outra língua, cultura, alimentação, trabalho, sendo responsável pela minha vida financeira e, acima de tudo, me manter viva (risos). Ali precisei crescer muito rápido, em muito pouco tempo.

"O teatro é vivo. E isso me encanta — estar no mesmo ambiente, ser contagiada por toda a energia da peça em tempo real."

Uma coisa que a Luiza te ensinou sobre mulheres?


Tantas coisas! Mas, mais ainda, a vulnerabilidade e a força da mulher. Ela é uma personagem que teve uma depressão pós-parto que desencadeou uma amnésia dissociativa. Como não sou mãe ainda, através dela entendi melhor esse processo que a mulher passa durante e depois da gravidez — e hoje me tornei muito mais consciente e respeito muito mais nossa potência.

Rotina de manhã: ritual sagrado ou caos total?


Ritual sagrado, sem dúvida! Como minha vida, no geral, não tem muita rotina programada — viajo bastante por conta do trabalho e as gravações também mudam muito meus horários, às vezes sendo só noturnas ou com horários fora do convencional —, tento, no meu dia a dia, manter minha própria rotina. Isso me ajuda muito no equilíbrio e na organização. Todo dia acordo, coloco meus mantras, tomo meu café da manhã, passo meu protetor solar e vou treinar. A academia também faz parte do meu ritual da manhã. Se eu não vou logo quando acordo, já era — não vou mais (risos). A forma que começo minha manhã influencia totalmente em como vai ser meu dia.



Português, italiano ou inglês — em qual língua você sonha?


As três! Hahaha. No momento estou assistindo uma série italiana, Minha Amiga Genial, então ultimamente tenho sonhado bastante em italiano.

Séries, filmes ou peças de teatro — se só pudesse escolher um formato para sempre?


Para atuar ou para consumir? Hehehe. Se for para consumir, seria o teatro! Amo ser público e me permitir ser afetada em tempo real pelo artista, estar dentro do mesmo ambiente e ser contagiada por toda a energia da peça. O teatro é vivo, né? E isso me encanta. Agora, se fosse para atuar, acho que eu escolheria o cinema. O ator tem possibilidades de gravar em lugares exóticos, fazer laboratórios para viver personagens com habilidades completamente diferentes. Amo processos, então fico encantada quando vejo, por exemplo, uma atriz como Cate Blanchett, que aprendeu alemão e estudou por anos como ser uma maestra para sua personagem no filme Tár.

O que você nunca abriria mão em uma personagem?


Hum... difícil essa pergunta! Confesso que até deixei ela para o final. Eu acho que nunca abriria mão de me encantar por uma personagem. Amo minha profissão, então poder mergulhar em novas histórias e me encantar com elas, sem dúvida, é uma coisa da qual não abriria mão.



Uma mulher real que você gostaria de interpretar um dia?


Maria Bethânia. O mistério dela me fascina! Adoraria interpretá-la.

Redes sociais: vitrine, diário ou ferramenta?


Ferramenta. Pelo menos para mim — uso principalmente como ferramenta de trabalho e sou muito realizada com as oportunidades que tive através das redes.

A cena mais difícil que você já gravou — sem spoiler?


Eu nunca consigo responder uma coisa só, né? Se for uma cena de questão emocional, é a cena em que a Luiza sonha com o aborto espontâneo. E, tecnicamente, sem dúvida, foram as cenas da Clara em Depois da Meia-Noite, em que minha personagem precisava lutar Muay Thai. Por mais que eu tenha feito praticamente dois meses seguidos de aula, ainda assim era muito iniciante, e minha personagem precisava de uma técnica perfeita. E essa é a grande magia do audiovisual: com a ajuda de toda a equipe técnica e da edição, entregamos uma cena de luta muito real. Fiquei feliz!



"Nunca abriria mão de me encantar por uma personagem. É disso que sou feita."

O que a Priscila Reis de 13 anos diria para a de hoje?


Aperta os cintos, garota, que nós vamos viver muita coisa.

Moda como expressão ou como armadura?


Como expressão total! Acho que a moda reflete muito a nossa personalidade. Eu, por exemplo, me visto muito de acordo com o meu humor e, dependendo da ocasião, também como uma forma de me posicionar socialmente. Vim da moda e amo poder construir minha imagem pessoal através dela. Além disso, a moda instiga muito minha criatividade. Adoro poder me expressar através dos meus looks, ter minha própria assinatura, brincar com possibilidades e personalidades diferentes através da forma que me visto.

Uma palavra para definir essa fase da sua vida?


Aperta os cintos novamente, querida, que lá vamos nós de novo (risos).



 
 
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