RENATA SCHNEIDER — A ARTISTA QUE HABITA MUITOS MUNDOS SEM SE PERDER EM NENHUM
- Redação

- há 5 dias
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Ela dança, atua, canta, contorce o corpo em ângulos que desafiam a física e ainda encontra tempo para ser, em silêncio, simplesmente Camila — o nome do meio que seus amigos mais íntimos conhecem. Renata Schneider construiu uma das trajetórias mais singulares da nova geração artística brasileira: sem fórmula, sem encaixe fácil e com uma autenticidade que o público percebeu antes mesmo que a indústria nomeasse o fenômeno.

Maquininha - Crédito Diego Back
Em 2026, ela está no centro de O Mágico de Oz, dando vida à Glinda — a fada vaidosa, sem noção e irresistivelmente encantadora — enquanto navega, nos bastidores, os sete minutos frenéticos da troca de figurino que a transforma de Tia Emmy em magia cor-de-rosa. Ao mesmo tempo, carrega o peso suave de Boneca Russa, single que superou 6 milhões de visualizações e 1 milhão de views nas primeiras 24 horas, redefinindo o que se espera de uma estreia musical.
Nesta conversa exclusiva com a YOUR Magazine, Renata fala sobre identidade artística, o lado B de si mesma e o que quer provocar em quem a assiste.
Você transita entre teatro, dança, música e contorcionismo com uma naturalidade impressionante. Como equilibra tantas linguagens artísticas sem perder a sua identidade no processo?
A naturalidade vem da prática — são anos de treino constante e disciplina. Acredito também que uma arte complementa a outra. Tento abraçar quem eu sou mesmo quando a modalidade muda: sempre levo comigo o repertório de tudo que já vi e aprendi, e aplico isso na minha dança, na minha atuação. É o que me mantém autêntica. Não escondo a minha personalidade nem finjo ser quem não sou para me encaixar em determinado ambiente.
Em 2026 você dá vida à Glinda em O Mágico de Oz — a bruxa boa que mistura doçura e humor. O que essa personagem exigiu de você que ainda não havia sido exigido em nenhum outro papel?
O maior desafio foi interpretar duas personagens muito distintas dentro do mesmo espetáculo: Tia Emmy — uma mulher séria, adulta, cheia de responsabilidades — e Glinda — uma fada engraçada, vaidosa, sem noção, que enxerga felicidade em tudo. A troca de figurinos também é um desafio à parte: tenho sete minutos para fazer maquiagem, colocar peruca, coroa, luvas, salto e vestido, e me transformar na tão querida fada Glinda.

Boneca Russa - Crédito Ana Clara Pazian
Boneca Russa ultrapassou 6 milhões de visualizações e 1 milhão de views nas primeiras 24 horas. O que você sentiu quando percebeu que aquele lançamento havia mudado o rumo da sua carreira?
Senti que valia a pena acreditar nos meus instintos. E senti que os anos de preparo, trabalho e dedicação no meio artístico me proporcionaram um momento especial — e raro de acontecer logo num primeiro lançamento.
O EP homônimo explora múltiplas facetas de uma mesma personagem. Qual das faixas reflete com mais honestidade quem Renata Schneider é fora dos holofotes?
A Renata fora dos holofotes é a Camila — meu nome do meio. Meus amigos dizem que ela só aparece de vez em quando, mas para mim ela está presente todos os dias. A Camila é mais insegura, extremamente apegada à família e aos amigos. Gosta de uma vida calma e não aprecia muito câmeras e atenção — bem diferente da Renata. Ainda não existe nenhuma música sobre a Camila. Quem sabe no segundo álbum.

Contorcionismo - Crédito Arquivo Pessoal
Você diz que o alongamento "transforma a relação com o próprio corpo e cultiva a autoestima." De que forma essa prática moldou também a sua performance nos palcos e nas câmeras?
O alongamento impressiona e traz um destaque diferenciado às performances — especialmente por ser uma habilidade rara, que exige treino constante. Mas, além do visual, ele transforma a consciência corporal de dentro para fora. Você passa a habitar o próprio corpo de outro jeito.
Com mais de 7 milhões de seguidores somados entre Instagram, TikTok e YouTube, você construiu uma audiência fiel sem abrir mão da profundidade artística. Como decide o que compartilhar — e o que preservar?
Sigo meus instintos e os conselhos de amigos próximos. Por mim, eu postaria de tudo — mas há coisas que não são boas para a carreira e outras que prejudicam a saúde mental. Então, quando estou em dúvida sobre um post, recorro às pessoas que me conhecem bem e me ajudam a olhar com mais clareza.

Glinda - Crédito Priscila Lima
Se você pudesse definir em uma única frase o que quer que as pessoas sintam ao te assistir — seja num palco, num clipe ou numa reel —, o que seria?
Compreendidas.


