ATRIZ, ARQUEÓLOGA E AGORA ESCRITORA: CAROLINE DALLAROSA LANÇA ROMANCE MULTIMÍDIA EM SUA ESTREIA LITERÁRIA
- Redação

- há 5 dias
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Em paralelo ao trabalho como atriz, Caroline Dallarosa se prepara para estrear na literatura com um livro que acompanha o dilema de uma jovem diante de cartas anônimas e oferece trilha sonora acoplada a cada capítulo.

Foto: Camila Cardoso
Conhecida pelo trabalho diante das câmeras, a atriz Caroline Dallarosa expande sua atuação e prepara o lançamento de seu primeiro livro, De Coração. A obra, de aproximadamente 208 páginas, marca sua entrada na literatura com uma história de ficção. Ao incorporar elementos de mistério, o projeto aborda a identidade contemporânea através da jornada de Anne, a protagonista da trama.
A rotina da personagem muda quando ela começa a receber cartas de um remetente desconhecido. A partir desse evento, instaura-se um conflito: Anne se vê dividida entre um relacionamento no mundo real e a conexão construída com esse interlocutor anônimo. Em vez de usar a linha entre o concreto e o imaginado como escapismo, a autora faz dessa dualidade uma ferramenta narrativa para expor as incertezas que marcam o amadurecimento.
"Anne vive uma confusão muito comum à nossa geração: criamos expectativas tão intensas na própria mente — muitas vezes alimentadas por mensagens, telas e projeções — que se torna difícil distinguir o afeto real daquilo que é pura idealização. As cartas anônimas não funcionam apenas como elemento de mistério, mas como um dispositivo narrativo que evidencia esse emaranhado de sentimentos, em que o que é imaginado pode parecer tão, ou até mais, verdadeiro do que aquilo que se vive", comenta.
Para integrar essas emoções, De Coração foi estruturado para funcionar como uma experiência multimídia. Cada capítulo foi pensado para ser lido sob uma atmosfera sonora, acessada por QR codes impressos nas páginas. Os códigos direcionam o leitor a playlists com referências a artistas como Lana Del Rey e Hozier, criando uma proposta que une literatura e áudio.
"Eu não consigo separar o processo da escrita da música. Quando estava desenvolvendo a história, certas cenas só alcançavam a densidade que eu queria se houvesse um arranjo específico tocando ao fundo — então decidi que o público precisava ter exatamente a mesma experiência sensorial que eu tive ao criar o universo da Anne. A trilha funciona como um compasso emocional e dita o ritmo exato da leitura", explica.

Foto: Camila Cardoso
A construção da narrativa encontra paralelo na vida acadêmica de Caroline, que cursa Arqueologia. Se na universidade o foco é reconstruir histórias do passado a partir de vestígios, na ficção o exercício se volta para escavar sentimentos do presente, revelando camadas emocionais que nem sempre são visíveis à primeira vista. "No fundo, tudo se conecta. Tanto na atuação quanto na arqueologia, o trabalho é descobrir quem são aquelas pessoas a partir de fragmentos deixados para trás. Na faculdade, estudo como reconstruir a história através de ruínas físicas. Com o livro, o que fiz foi uma espécie de escavação emocional — um processo que exige introspecção para chegar lá. A protagonista está o tempo todo tentando juntar os pedaços das cartas e das próprias dúvidas para entender quem ela é de verdade. É assim que o romance se constrói", conclui.


