BANHO FRIO: O QUE A CIÊNCIA JÁ SABE SOBRE OS BENEFÍCIOS

O banho frio é, para mim, um dos hábitos mais simples e, ao mesmo tempo, mais
poderosos da minha rotina. Todos os dias, de manhã, o compromisso que tenho é esse:
tomar um banho frio, não importa onde eu esteja. E não vou fingir que é extremamente
prazeroso entrar debaixo de uma ducha gelada logo ao acordar, principalmente em um dia
de inverno. Mas é justamente aí que está o valor da prática: fazer isso de forma voluntária,
repetidas vezes, traz benefícios que vão muito além do que a gente consegue medir em
números. Disciplina, constância e a capacidade de lidar com algo que a gente não quer fazer,
mas enfrenta mesmo assim.
À primeira vista parece um desafio, mas logo se transforma em um estímulo para o
corpo e para a mente. E, claro, a ciência também já encontrou resultados interessantes
sobre a exposição ao frio: um estudo realizado na Holanda, com mais de três mil
participantes, mostrou que quem toma banhos frios regularmente tem 29% menos faltas no
trabalho por motivos de saúde. O frio coloca o organismo em estado de alerta, aumenta o
fluxo sanguíneo para os órgãos vitais, pode ajudar a reduzir a dor muscular e a inflamação e
estimula a liberação de hormônios como adrenalina e noradrenalina, fortalecendo a
atividade cardiovascular. Ao mesmo tempo, ativa a liberação de endorfina e dopamina, o
que ajuda a reduzir a ansiedade, aliviar sintomas de depressão e criar aquele efeito de foco
total no presente.

Na prática, eu sinto essa diferença logo depois do banho. Sair da água gelada traz
uma sensação imediata de bem-estar, mais disposição e a sensação de estar mais desperto
para encarar as demandas do dia. Nos primeiros minutos, parece que o corpo inteiro fica
mais alerta e a sensação desconfortável dá lugar a uma energia que me ajuda a começar a
manhã com mais foco. É difícil colocar tudo isso em números, mas, para mim, essa resposta
é uma das partes que fazem o banho frio valer a pena.
“O banho frio não é sobre gostar do desconforto. É sobre aprender que podemos atravessá-lo — e sair dele mais despertos, presentes e preparados para o dia.” — Lucas Malvacini

Para quem quer começar, a dica que sempre dou é: vá aos poucos. Tome o banho
normal, na temperatura confortável, e nos últimos 30 segundos gire o registro do chuveiro
para o frio. No início, pode ser um choque: a respiração acelera, a pele sente a mudança de
temperatura e o primeiro impulso é sair dali. É aí que entra a respiração profunda e
controlada, ajudando o corpo a se adaptar. Depois, é só uma questão de repetição: uma vez,
duas, três, sempre um pouco desconfortável, aumentando alguns segundos a cada vez, até
que, sem perceber, o corpo passa a pedir aquilo. Hoje, para mim, o banho frio não é mais
um desafio; acordo e simplesmente entro debaixo da água gelada, sem pensar muito. É a
prova de que um desconforto voluntário, repetido com constância, se transforma em rotina.










