FRANCIELY FREDUZESKI TROCA OS HOLOFOTES DA FICÇÃO PELA ESCUTA REAL
- Redação

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Tem gente que vira a chave da vida inteira depois de um diagnóstico. Franciely Freduzeski é uma dessas pessoas. Conhecida do público por anos de trabalho na televisão, ela agora soma à carreira de atriz uma trajetória silenciosa e intensa: a de psicóloga, formação que nasceu direto de uma dor que ninguém via, mas que ela sentia todos os dias.

Foto: Alessandra Tolc
Foi em 2022 que Franciely recebeu o diagnóstico de fibromialgia, uma síndrome que ainda carrega estigma e desconfiança, inclusive dentro dos consultórios. Antes de entender o que se passava com o próprio corpo, ela ouviu de médicos que o problema era imaginário, que nada de errado aparecia nos exames. O tipo de frase que qualquer pessoa com dor crônica conhece bem, e que machuca quase tanto quanto o sintoma em si.
"Antes de saber o que eu tinha, alguns médicos diziam que era coisa da minha cabeça, pois nada aparecia nos exames. Comecei a achar que o problema estava comigo, que eu não estava conseguindo me comunicar, explicar o que eu sentia."

Foto: Alessandra Tolc
Foi dessa sensação de não ser compreendida que nasceu a escolha pela Psicologia. Não como plano B da carreira artística, mas como ferramenta para decifrar o próprio corpo. Franciely queria entender, de dentro para fora, como a dor se organiza no cérebro antes de aparecer em qualquer outro lugar.
"Então, eu escolhi a psicologia porque, através dela, eu poderia entender os mecanismos neurossensoriais, onde de fato a dor começa: no cérebro."
O caminho passou por estágio voluntário no Hospital das Clínicas de São Paulo, em 2023, e hoje ganha forma no consultório Éfata Psicologia Transformadora, na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, onde ela atende com foco em escuta empática e acolhimento, unindo vivência pessoal e prática clínica. O reconhecimento por essa atuação em prol de causas sociais veio com a medalha Chiquinha Gonzaga, entregue a mulheres que se destacam em ações democráticas, culturais e sociais.

Foto: Alessandra Tolc
E antes da Psicologia, teve muita televisão. Franciely é lembrada por papéis em novelas como O Clone, América, Malhação, Orgulho e Paixão, além de passagens por Casos e Acasos, Zorra Total, Donas de Casa Desesperadas, A Fazenda, Bela a Feia e Máscaras. Entre 2013 e 2016, morou em Los Angeles, onde estudou inglês e cinema na New York Film Academy, dividindo a semana entre aulas de interpretação e de voz. No teatro, subiu ao palco em montagens como Boeing-Boeing, As Mentiras que os Homens Contam, O Último Bolero, Exilados e Mais de Sessenta, Tons de Cinza.

Foto: Alessandra Tolc
Hoje, ao unir os dois universos, Franciely mostra que talvez nunca tenham sido tão diferentes assim: atuar é, no fundo, também uma forma de entender e traduzir o que sentimos.









