O QUE BALI ME ENSINOU SOBRE QUALIDADE DE VIDA E BEM-ESTAR

Bali, a ilha mais querida da Indonésia, tem se consolidado como uma espécie de "meca mundial" do bem-estar. Entendi isso em 2023, quando passei dois meses na ilha durante uma viagem de volta ao mundo. De lá para cá, voltei todos os anos e acompanhei de perto uma transformação que vai muito além da abertura de novos estúdios, academias e restaurantes saudáveis. O que vi crescer nesse período diz muito sobre para onde o mercado de wellness está caminhando e, principalmente, sobre como estamos começando a repensar o que significa ter qualidade de vida.

O que chama atenção em Bali não é só a paisagem paradisíaca, mas a estrutura construída em torno de um conceito chamado Social Wellness, cada vez mais comum em polos de bem-estar pelo mundo. A lógica é diferente do modelo tradicional de academia que a gente conhece, onde você treina por uma horinha e vai embora. Por lá, visitei alguns dos espaços de wellness mais inovadores, incluindo o Atmos, Santai, Ulu Active e The Istana. Nesses espaços, o treino é só o ponto de partida: depois vem uma área de recovery, com banheira de gelo, jacuzzi e sauna, seguida de um cardápio pensado para nutrição pós-treino, e muitas vezes um espaço de coworking integrado. O resultado é que uma hora de exercício se transforma facilmente em quatro ou cinco horas de rotina inteira dedicada à saúde - treino, recuperação, alimentação e trabalho, tudo no mesmo lugar.

Outro ponto que considero central nesse modelo, e que reflete bem a maturidade do wellness em Bali, é a ausência de álcool nesses espaços. Não é uma proibição vazia, é coerência: não faz sentido montar uma estrutura inteira voltada para recuperação e saúde e, no meio dela, oferecer algo que vai na contramão disso. Bem-estar, nesse sentido, também é sobre abrir mão de comportamentos que naturalizamos, mas que não sustentam o que estamos tentando construir.

Essa clareza me fez repensar como eu queria tratar bem-estar por aqui - não só como conceito, mas como prática. Na Rotina dos Lanús, por exemplo, decidi que não faria sentido abrir mão dessa coerência. Se o propósito é falar sobre bem-estar, não dá para servir álcool num evento como se fosse só um detalhe. Bali funciona hoje, para mim, como um verdadeiro laboratório de wellness: um lugar onde dá para ver, na prática, o que muda quando se organiza a rotina em torno da saúde e da recuperação, não como tendência passageira, mas como estilo de vida.











