MISTÉRIO DAS COISAS VIVAS: MAC NITERÓI RECEBE MOSTRA QUE CRUZA ARTE, ESPIRITUALIDADE E TERRITÓRIO
- Redação

- há 4 dias
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Créditos @davisiongraphy

Entre 20 de junho e 23 de agosto, o Mezanino do Museu de Arte Contemporânea de Niterói vira ponto de encontro entre o visível e o invisível. A exposição "Mistério das Coisas Vivas", organizada pelo Instituto MECA, reúne obras de seis artistas que passaram pelo programa de residências do instituto entre 2025 e 2026, num conjunto que investiga corpo, ancestralidade, memória e as muitas formas que a espiritualidade contemporânea pode assumir.

Os nomes reunidos já circulam há um tempo no circuito, o que talvez explique a segurança da curadoria. Anna Livia Taborda Monahan, Ana V. Lopes, Yaka Huni Kuin, Julia Gallo, Mayra Carvalho e Caio Pacela chegam ao MAC com trajetórias que passam por instituições como MAM, Fundação Cartier e Bienal de São Paulo, e trazem para a mostra linguagens tão diversas quanto pintura, escultura, instalação e desenho.
O texto de apresentação é assinado por Catarina Duncan, curadora convidada, com contribuições de Danniel Tostes, mentor do programa de residência, e Bianca Bernardo, curadora do Instituto MECA. Juntos, eles descrevem a mostra menos como uma vitrine de individualidades e mais como um campo de relações, no qual cada obra funciona como extensão de universos afetivos, simbólicos e políticos.
Um estaleiro que virou território de criação
Vale entender de onde vêm essas obras. O Instituto MECA ocupa o estaleiro Mac Laren, na Ilha da Conceição, e propõe algo que soa quase contraintuitivo, transformar um complexo industrial em espaço de pesquisa artística. Eduardo Mac Laren, diretor de sustentabilidade do grupo e idealizador do instituto, resume assim a ideia, o MECA nasce do desejo de reimaginar o papel da indústria no mundo contemporâneo, não apenas como motor econômico, mas como agente ativo na produção de cultura, conhecimento e regeneração ambiental. Para ele, investir em cultura é investir em futuro, e o instituto se propõe como convite para repensar juntos as formas de habitar, produzir e coexistir.
A mostra no MAC amplia esse movimento, levando ao público direto processos que normalmente ficam restritos ao ambiente das residências.

Os artistas e suas paisagens do sagrado
Cada trabalho parte de um lugar diferente, mas todos flertam com o mesmo território incerto entre matéria e transcendência, sem que isso soe repetitivo.
Ana V. Lopes, de Japuíba, investiga o encontro entre barro, terra e corpo, fabulando mundos que se sobrepõem e narrando histórias a partir de processos de queima e coletas manuais. Formada em História pela UFF, atua hoje como curadora no Galpão Bela Maré e já expôs em espaços como o Sesc São Gonçalo e o Parque da Catacumba.
Anna Livia Taborda Monahan, nascida em Nova York e formada em Pintura pela EBA-UFRJ, mistura óleo, guache e elementos escultóricos em cenas de criaturas suspensas, como se aguardassem algo prestes a acontecer. O uso do sgraffito conecta pintura e relevo, revelando cores vibrantes sobre fundos de gesso pigmentado, procedimento que ela vem desenvolvendo em seu ateliê no Rio de Janeiro.


Yaka Huni Kuin traz para a mostra uma perspectiva que dificilmente caberia em qualquer outro contexto expositivo mais convencional. Filha de Ibã Sales Huni Kuin e parte do MAHKU, o Movimento dos Artistas Huni Kuin, ela descreve o próprio trabalho como parte de uma tecnologia de comunicação entre mundos, o MAHKU traduz em imagens os cantos e mitos Huni Kuin. Cofundadora do coletivo Kayatibu e do Centro de Cultura Kayatibu, já expôs na Fundação Cartier, em Paris, e na 35ª Bienal de São Paulo.
Julia Gallo trabalha o desenho como procedimento central, seja carvão riscando a tela, tesoura cortando papel ou sombras projetadas no espaço. Suas anatomias ficcionais dissolvem a fronteira entre corpo e alma, e transitam entre referências a tragédias clássicas e simbologias bíblicas. Passou recentemente por espaços como o Paço das Artes, a Galeria Millan e a Galerie Gruppe Motto, em Hamburgo.
Mayra Carvalho investiga os rios flutuantes como transmissores de mensagens, entrelaçando memória, cosmopercepção coletiva e os saberes espirituais de sua etnia. Suas obras já passaram pelo Museo de Antioquia, na Colômbia, e integram os acervos do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro e do Museu Histórico Nacional.

Caio Pacela fecha o grupo com uma pesquisa voltada à espiritualidade em suas várias ramificações, fé, crença, culto, oferenda, sempre a partir da própria experiência pessoal. Formado em Pintura pela UFRJ, teve exposições recentes na Janaina Torres Galeria e já foi indicado ao Sauer Art Prize SP-Arte.
Serviço
Exposição: Mistério das Coisas Vivas
Período: 20 de junho a 23 de agosto de 2026
Abertura oficial: 27 de junho, às 18h
Local: Mezanino, MAC Niterói
Endereço: Mirante da Boa Viagem, s/nº, Boa Viagem, Niterói, RJ
Visitação: terça a domingo, das 10h às 18h (entrada permitida até 17h30)
Ingresso: R$20 (inteira) / R$10 (meia). Quartas-feiras, entrada franca
Classificação: livre
Instagram: @mac.niteroi









