VISÃO DE GESTÃO, ALMA DE MARCA: O PAPEL DE LOURIVAL TEIXEIRA NA SANTA RESISTÊNCIA

Há encontros que nascem de uma conversa de bastidor e terminam reformulando a estrutura de um negócio inteiro. Foi mais ou menos assim que Lourival Teixeira, hoje consultor estratégico da Santa Resistência, entrou para o universo da estilista Mônica Sampaio, marca que voltou a chamar atenção na São Paulo Fashion Week N61 com uma coleção que cruza Shakespeare, Mangueira e o verde e rosa mais famoso do carnaval carioca.
A história começou do jeito mais informal possível. Em um desfile da grife, Lourival estava entre o público quando cruzou com Mônica. Trocaram telefones, como se faz hoje em dia, e meses depois, um café em São Paulo transformou aquele contato casual em parceria profissional. Mônica já vinha de uma trajetória sólida construindo a identidade da Santa Resistência em torno da cultura brasileira e da ancestralidade, mas sentiu que faltava alguém com visão de gestão para dar suporte ao crescimento da marca. Encontrou isso em Lourival.
"O Lourival Teixeira trouxe toda a visão estratégica da vida empresarial dele. Ele estava no lugar que precisava estar. Hoje é imprescindível, olha para a Santa Resistência como se estivesse olhando para o próprio negócio dele", resume a estilista, deixando claro que a relação ultrapassou o campo técnico e virou também uma questão de identificação pessoal com o projeto.

De Berilo para o centro da moda brasileira
Antes de se tornar peça de apoio estratégico de uma das marcas mais autorais do país, Lourival construiu carreira em setores bem distantes das passarelas, como hotelaria e turismo, áreas em que o relacionamento com pessoas e a leitura fina de cada negócio acabam sendo o verdadeiro produto vendido. Natural de Berilo, no norte de Minas Gerais, ele é filho de uma família de trabalhadores rurais e se mudou ainda jovem para São Paulo, movimento que faz parte de uma geração inteira de mineiros que trocou o interior pela capital em busca de oportunidade.
É curioso notar como esse tipo de trajetória, do interior para o centro financeiro e cultural do país, costuma produzir profissionais com um olhar mais atento para o que é autêntico. Não é à toa que Lourival encontrou tanta ressonância em uma marca que também trabalha em cima de pertencimento e ancestralidade. Na Santa Resistência, ele hoje acompanha de perto o desenvolvimento do negócio e participa ativamente das discussões sobre estrutura e estratégia da grife.
"Ao longo da minha trajetória na Santa Resistência, tenho acompanhado de perto o desenvolvimento da marca e os desafios de consolidar um projeto autoral no mercado da moda. Minha experiência empresarial me permite contribuir com uma visão estratégica para o negócio, sempre respeitando a identidade e a proposta criativa da Mônica. Acredito que esse diálogo entre gestão e criação é fundamental para fortalecer a marca e ampliar suas possibilidades de crescimento", afirma o consultor.

Otelo, Mangueira e a coleção que uniu dois mundos
A SPFW N61 marcou um novo capítulo visual para a Santa Resistência. A grife apresentou "Otelo Brasileiro: Uma Paixão em Verde e Rosa", coleção inspirada na peça "Otelo", de William Shakespeare, cruzada com o musical brasileiro "Otelo da Mangueira", idealizado e dirigido por Gustavo Gasparani. A proposta prestou homenagem à Estação Primeira de Mangueira e aproximou a tragédia shakespeariana do universo do samba carioca, um exercício e tanto de costura cultural, literalmente.
Vale lembrar que "Otelo da Mangueira" não nasceu agora. O espetáculo já havia adaptado a obra de Shakespeare para o contexto de uma escola de samba carioca, trazendo a história do mouro de Veneza para dentro do barracão, e foi justamente esse diálogo entre dramaturgia clássica e cultura popular que serviu de inspiração para a coleção de Mônica Sampaio.
Na passarela, o verde e o rosa, cores símbolo da Mangueira, apareceram em variações de tonalidade, tecidos, bordados e estampas. A coleção reuniu peças artesanais e trabalhos manuais, parte deles em colaboração com outros profissionais da área. Um dos pontos altos foram as estampas em aquarela assinadas pela artista Marcela Citon, com retratos de nomes históricos do samba, como Cartola, Alcione, Mussum e Nelson Cavaquinho, uma espécie de galeria ambulante da memória musical brasileira.

Gestão e criação, lado a lado
A presença de Lourival na Santa Resistência representa um movimento que vem se tornando cada vez mais comum entre marcas autorais brasileiras: a busca por estrutura empresarial sem abrir mão da identidade criativa. Marcas que nascem do talento de um estilista costumam enfrentar, em algum momento, o desafio de crescer sem perder a essência que as tornou relevantes, e é exatamente nesse ponto que entra o trabalho de bastidor de profissionais como ele.
Com a experiência acumulada em áreas voltadas para pessoas e atendimento, Lourival trouxe para dentro da Santa Resistência um repertório que vai além de planilhas e metas. Ele soma à grife um olhar de gestão que caminha junto com a proposta autoral de Mônica, e esse equilíbrio entre visão estratégica e respeito à criação é, segundo os dois, o que sustenta o crescimento da marca neste momento.
A Santa Resistência segue construindo seu lugar no cenário da moda brasileira, e a parceria entre estilista e consultor mostra que, por trás de cada coleção aclamada em uma SPFW, existe também um trabalho silencioso de estrutura, planejamento e, muitas vezes, uma simples troca de telefones em um desfile.











