top of page

ESTILOS DE APEGO: POR QUE ALGUNS SURTAM COM O SILÊNCIO E OUTROS NÃO?

há 4 horas
4 min de leitura

Você aguenta numa boa três horas sem resposta e seu amigo já surta em vinte minutos? A ciência dos estilos de apego explica



Tem gente que recebe um "vish, esqueci o celular no carro" depois de três horas de silêncio e nem pisca. E tem gente que, com vinte minutos sem retorno, já está reescrevendo mentalmente a mensagem de rompimento. A diferença entre essas duas reações raramente é sobre a outra pessoa. É sobre como cada um de nós aprendeu, ainda muito cedo, a lidar com vínculo afetivo.


É disso que trata a teoria do apego: como formamos e sustentamos laços emocionais ao longo da vida. A ideia nasceu com os psicólogos John Bowlby e Mary Ainsworth e parte de um princípio simples de entender, mas difícil de aplicar na prática, os primeiros relacionamentos que tivemos, geralmente com pais ou cuidadores, moldam o jeito como nos aproximamos das pessoas dali para frente.


Hoje a psicologia reconhece quatro estilos principais: seguro, ansioso, esquivo e desorganizado. E vale um alívio antes de continuar, identificar o seu não é receber um diagnóstico nem uma sentença de relacionamento. É perfeitamente possível, inclusive, sentir apego de formas diferentes dependendo da pessoa com quem você está.

De onde vêm os estilos de apego?

A formação começa cedo, e muito. A capacidade dos pais de perceber e responder às necessidades do filho nos primeiros anos de vida é decisiva para construir uma base segura. Cuidado consistente e afetuoso tende a gerar confiança. Já cuidado inconsistente, negligente ou abusivo costuma plantar sementes de insegurança, ansiedade ou medo.


Mas a família não é a única influência. Vínculos fora de casa, amizades, primeiros namoros, também entram na conta, assim como experiências mais recentes. Uma pesquisa da eharmony com solteiros da Geração Z mostrou algo curioso: a maioria absoluta disse que decepções passadas os deixou mais cauteloso em relacionamentos, e uma parte relevante afirmou ter ficado menos confiante depois disso. Ou seja, o apego não é uma foto tirada na infância, é um álbum que continua sendo editado.

Apego seguro

É o mais equilibrado dos quatro. Quem tem apego seguro valoriza proximidade, mas sabe colocar limite sem culpa e comunicar o que sente sem transformar tudo em drama. Nesse tipo de relação, os dois lados conseguem se acalmar sozinhos quando precisam, e também não têm vergonha de pedir colo ou apoio quando a coisa aperta. Formou-se assim porque, no início da vida, teve cuidadores presentes e sensíveis o suficiente para responder às suas necessidades de forma constante.

Apego ansioso

Aqui a proximidade é desejada quase com urgência, junto com um medo real de abandono e rejeição. Quem tem esse perfil busca reafirmação o tempo todo, mas, curiosamente, tem dificuldade de acreditar nela quando ela chega. Isso costuma aparecer como mensagens em excesso, um jeito camaleônico de se adaptar ao parceiro, dificuldade de dizer o que quer de forma direta e, em casos mais intensos, codependência. No fundo, o raciocínio inconsciente é sempre o mesmo: fazer o que for preciso para não ser deixado.


Esse padrão costuma se formar quando o cuidado na infância foi imprevisível, às vezes presente, às vezes distante, o que ensina a criança, e depois o adulto, a viver em alerta quanto à possibilidade de ser abandonada.

Apego esquivo

É quase o espelho invertido do ansioso. Em vez de buscar tranquilidade o tempo todo, quem tem apego esquivo valoriza a independência acima de quase tudo e se incomoda com intimidade demais. Não é falta de desejo por conexão, o desejo existe, só que o medo dela é ainda maior. Costuma vir acompanhado de dificuldade em reconhecer as próprias emoções, o que torna mais complicado se conectar com o que o outro está sentindo.


A origem geralmente está em cuidados frios, desconectados ou distantes na infância. Quando as necessidades emocionais da criança não são atendidas com regularidade, ela aprende a contar só consigo mesma.

Apego desorganizado (ou temeroso-evitante)

É o mais complexo dos quatro, porque mistura as estratégias ansiosa e esquiva ao mesmo tempo. Na prática, funciona como um pêndulo: ora a pessoa busca proximidade, ora sente medo dela e recua, num vai e vem que reflete a instabilidade vivida em casa quando criança. Costuma estar ligado a experiências de cuidado bastante imprevisíveis ou até traumáticas, o que torna mais difícil confiar em alguém o suficiente para manter um relacionamento estável.

Como descobrir o seu?

Se nenhum desses perfis bateu de cara com você, vale um exercício simples, olhar para a própria infância, para como os cuidadores respondiam (ou não) às suas necessidades, e para os padrões que se repetem nos relacionamentos que você já teve. Existem também testes on-line voltados para isso, mas o recado dos especialistas é unânime: encare o resultado como ponto de partida, não como veredito final. Uma avaliação mais aprofundada, com instrumentos validados, é trabalho para um psicoterapeuta.

Dá para mudar de estilo de apego

Aqui vai a parte boa, nenhum desses padrões está gravado em pedra. O primeiro passo é reconhecer em qual deles você tende a cair, o segundo é trabalhar ativamente para substituir esses padrões antigos por habilidades mais seguras, como comunicação assertiva e limites claros. Terapia ajuda bastante nesse processo, principalmente para entender de onde vêm certos comportamentos e treinar respostas diferentes.


E não espere uma virada da noite para o dia. Mudar o próprio estilo de apego não é virar outra pessoa do nada, é ir percebendo, aos poucos, os padrões antigos e escolhendo reagir de um jeito diferente da próxima vez. No fim das contas, conhecer o seu estilo de apego não é se encaixar numa etiqueta. É entender um pouco melhor por que você ama do jeito que ama, e decidir, com essa informação em mãos, o que vale a pena mudar.

 
 
YOUR Magazine | Feita no Brasil para o mundo

NO INSTAGRAM

Your Magazine NYC YOUR MAG NYC Revista

Biomedicina: A ciência que está em tudo, menos no seu radar.
03:08
Bruna Lipiani: a voz mineira que conquistou a internet cantando em bar
03:57
11 anos ao lado de Leonardo: os bastidores de Fernanda Hernandes entre palco, moda e vida digital
14:36
YOUR Magazine | Feita no Brasil para o mundo
YOUR Magazine | Feita no Brasil para o mundo
®© Copyright
YOUR Magazine | Feita no Brasil para o mundo
YOUR Magazine | Feita no Brasil para o mundo

Made in Brazil for the world

+ 55 33 999903-2902

muller@yourmagazine.com.br

MüllerRibeiro - cópia.png
bottom of page