RENATA KUERTEN: MODA, PATRIMÔNIO E UMA MATERNIDADE SEM FILTRO
Atualizado: há 3 dias

Aos treze anos, num palco de concurso de beleza em Braço do Norte, Santa Catarina, Renata Kuerten não imaginava que aquele primeiro desfile seria o começo de uma carreira com mais de vinte anos de estrada.
De lá para cá vieram contratos, bastidores e, há mais de uma década, um lugar fixo diante das câmeras. Hoje Renata comanda o Esquadrão da Moda, do SBT, ao lado de Lucas Anderi, programa que desde 2009 ajuda brasileiras e brasileiros a se reinventarem pelo guarda-roupa, e que a recebeu em definitivo há quatro temporadas.
Mas reduzir a trajetória de Renata à moda seria perder metade da história. Por trás da apresentadora que já acompanhou dezenas de transformações diante das câmeras existe também uma investidora que começou a construir patrimônio no mercado imobiliário vindo de uma família humilde, e uma mãe que decidiu, publicamente, não romantizar a maternidade, nem mesmo quando ela veio acompanhada de crises de ansiedade e síndrome do pânico no puerpério.
É dessa mulher de camadas, que soma passarela, televisão, investimentos e a filha Lorena numa mesma equação, que a YOUR foi conversar. Nesta entrevista exclusiva, Renata relembra o que mudou desde aquela adolescente catarinense até a apresentadora de hoje, conta sobre o sonho de comandar um programa autoral e explica, sem filtros, como aprendeu a ser profissional e mãe sem abrir mão de nenhuma das duas.
Você começou na moda aos 13 anos, descoberta em um concurso de beleza em Braço do Norte, e hoje soma mais de 20 anos de carreira, sendo 10 deles à frente das câmeras. Olhando para essa trajetória, o que mudou na Renata que começou nas passarelas para a Renata que comanda o Esquadrão da Moda?
Acho que a principal mudança foi a forma como passei a me enxergar e a entender o meu próprio espaço. Aos 13 anos, eu tinha muita vontade, disciplina e coragem, mas ainda estava descobrindo o mundo. Eu vivia aquele sonho de ser modelo sem imaginar tudo o que ele poderia me proporcionar e os caminhos que ainda surgiriam.
As passarelas me ensinaram muito sobre disciplina, responsabilidade, exposição e, principalmente, sobre lidar com desafios e sair da zona de conforto. Com o tempo, fui entendendo que poderia usar toda essa experiência em outras áreas e construir uma carreira que fosse além da moda.
Hoje, depois desses anos trabalhando à frente das câmeras, me sinto muito mais segura, madura e consciente das minhas escolhas. No Esquadrão da Moda, por exemplo, não estou apenas diante das câmeras: tenho a oportunidade de me comunicar, ouvir histórias, trocar experiências e ajudar pessoas a se enxergarem de uma maneira diferente.
Quando olho para aquela menina de 13 anos, sinto muito orgulho e gratidão. Ela não sabia exatamente onde chegaria, mas teve coragem de começar. E acho que essa continua sendo uma das coisas que mais me define: seguir acreditando, aprendendo e me permitindo descobrir novos caminhos.

Você esteve à frente do Esquadrão da Moda, no SBT, por quatro temporadas seguidas. O que ainda te desafia nesse formato depois de tanto tempo, e o que você sonha em fazer daqui para frente, incluindo esse desejo de produzir seu próprio programa?
Cada pessoa que passava pelo programa tinha uma história, uma personalidade e uma relação diferente com a própria imagem, então sempre era um desafio. Não existe uma transformação igual à outra. O mais interessante é justamente entender o que existe por trás daquela mudança de visual e perceber como a moda pode ser uma ferramenta de autoestima e expressão, e não apenas uma questão de aparência.
Ao mesmo tempo, essa experiência também despertou em mim a vontade de criar algo que tenha ainda mais da minha identidade. Um dos meus grandes sonhos é ter um programa próprio, que reflita meus valores, minha história e a forma como gosto de me comunicar com as pessoas.
Imagino um espaço de conversas leves, mas que também tenham profundidade e tragam assuntos que fazem parte da vida real. Quero poder ouvir, trocar experiências e aprender com cada convidado, trazendo a moda como uma das minhas ferramentas, mas não como o único assunto. Gostaria que fosse um programa em que as pessoas se sentissem representadas e, ao final de cada conversa, levassem alguma reflexão, inspiração ou simplesmente a sensação de terem vivido um momento gostoso diante da televisão.
Você é investidora no ramo imobiliário, algo que poucas pessoas sabem sobre você. Como nasceu esse interesse e o que te fez decidir construir patrimônio por esse caminho, vindo de uma família humilde?
Acho que esse interesse nasceu muito da forma como fui criada. Venho de uma família humilde e, desde pequena, aprendi a valorizar o que tínhamos, a trabalhar pelo que queríamos e a não tratar nenhuma conquista como algo garantido. Meus pais sempre me ensinaram muito sobre responsabilidade e sobre pensar no futuro, e esses valores me acompanharam quando comecei a construir minha própria carreira. Quando comecei a ganhar dinheiro com a moda, percebi que não queria simplesmente viver o momento. Tinha o desejo de transformar o resultado do meu trabalho em algo sólido e duradouro, que pudesse trazer segurança para mim e para a minha família. Foi assim que comecei a me interessar por investimentos e, principalmente, pelo mercado imobiliário.
Comecei aos poucos, estudando, buscando entender onde estava colocando meu dinheiro e aprendendo com cada experiência. Além dos imóveis, também passei a olhar para outras formas de investimento, sempre com muito planejamento.
Para mim, construir patrimônio tem muito a ver com liberdade e tranquilidade. É saber que todo o esforço de tantos anos pode se transformar em algo que permanece e que pode dar mais segurança para o futuro. Hoje, esse é um cuidado que também quero ensinar para a minha filha: entender o valor do dinheiro, planejar e saber que cada conquista é construída com tempo, trabalho e responsabilidade.

Você teve que voltar ao trabalho poucos dias após o nascimento da Lorena, enfrentou dificuldades com a amamentação e passou por síndrome do pânico e crises de ansiedade no puerpério. Como foi atravessar esse período tão intenso enquanto ainda precisava sustentar uma rotina profissional tão exposta?
Foi um dos períodos mais intensos da minha vida. A chegada da Lorena trouxe uma felicidade enorme, mas também muitas mudanças e cobranças. Voltei ao trabalho poucos meses depois do nascimento dela e precisei lidar com a culpa, a saudade, as dificuldades com a amamentação e, nesse processo, enfrentei crises de ansiedade e síndrome do pânico. Foi um momento em que entendi que não precisava dar conta de tudo sozinha. Buscar ajuda, falar sobre o que estava sentindo e contar com uma rede de apoio foram fundamentais. A maternidade também mudou minha relação com o trabalho: hoje continuo apaixonada pela minha profissão, mas respeito mais os meus limites e entendo que pedir ajuda também é uma forma de cuidar de mim.
Aprendi ainda que estar presente não significa estar o tempo todo ao lado da minha filha, mas estar inteira nos momentos que temos juntas. Hoje vivo a maternidade com mais leveza, sem abrir mão da minha profissão e, principalmente, do cuidado comigo mesma.
Você costuma falar abertamente que não quer romantizar a maternidade. Na prática, o que isso significa no dia a dia com a Lorena, hoje com 3 anos, e por que essa transparência é importante para você?
Para mim, não romantizar a maternidade significa ter liberdade para falar sobre os desafios sem diminuir o quanto ela é transformadora e maravilhosa. Existe uma ideia de que a mãe precisa dar conta de tudo, estar sempre feliz e colocar as próprias necessidades em segundo plano, e eu não acredito nisso.
Hoje, com a Lorena, aprendi que conciliar maternidade e carreira exige planejamento, rede de apoio e, muitas vezes, fazer escolhas. Mas nunca enxerguei ser mãe como um obstáculo profissional. Pelo contrário, a maternidade me tornou mais organizada, sensível, responsável e resiliente. Acho importante que as mulheres possam ocupar esses dois lugares sem sentir que precisam escolher entre ser uma boa mãe e uma boa profissional.
E essa transparência também faz parte da relação que quero construir com a Lorena. Ela despertou em mim uma versão mais leve e afetuosa. Aprendi a demonstrar mais os meus sentimentos, a dizer “eu te amo” e a valorizar ainda mais os pequenos momentos do dia a dia. Acho que não existe uma maternidade perfeita, mas existe uma maternidade real, com desafios, aprendizados, amor e muitas descobertas.
Hoje, já com mais equilíbrio, quais valores você mais se dedica a transmitir para a Lorena, e como você tem conseguido conciliar a carreira sem abrir mão de ser a mulher que era antes de se tornar mãe?
Quero transmitir para a Lorena, principalmente, valores como respeito, responsabilidade, independência e empatia. Quero que ela cresça entendendo o valor das coisas, que saiba correr atrás do que deseja, mas também respeitar as pessoas e reconhecer a importância de ter uma rede de apoio e de saber pedir ajuda.
Ao mesmo tempo, faço questão de mostrar para ela que ser mãe não significa deixar de ser mulher, profissional e ter os próprios sonhos. A carreira continua sendo uma parte importante de quem eu sou, assim como a maternidade. O equilíbrio vem justamente de entender que essas partes podem coexistir. Hoje procuro estar presente de verdade nos momentos que temos juntas, sem sentir que preciso abrir mão de quem eu era antes dela. A Lorena transformou muitas coisas em mim, mas não apagou a Renata que existia antes da maternidade. Pelo contrário, trouxe uma nova versão, mais madura, consciente e, sem dúvida, mais leve.
Entre passarelas, TV, investimentos e maternidade, o que te faz sentir mais orgulhosa quando olha para tudo o que construiu até aqui?
Acho que o que mais me orgulha é olhar para trás e perceber que consegui construir uma trajetória que vai muito além da profissão. Tenho muita gratidão por tudo o que vivi e pelas oportunidades que tive, mas também por ter tido coragem de construir caminhos diferentes dentro da minha carreira.
A moda me ensinou disciplina, postura e responsabilidade. A televisão me deu voz e me permitiu criar uma conexão muito mais profunda com as pessoas. Os investimentos vieram do desejo de construir independência e segurança para o futuro. E a maternidade, sem dúvida, trouxe uma nova dimensão para tudo isso.
Hoje, tenho orgulho de ser uma mulher que continua trabalhando, aprendendo, empreendendo e cuidando da minha família sem precisar abrir mão de quem sou. Acho que essa possibilidade de construir uma vida com diferentes versões de mim mesma, mantendo meus valores e minha independência, é uma das minhas maiores conquistas.










